16/12/2008

Decadentismo


É uma corrente literária com grande ligação ao Simbolismo e ao Impressionismo, consequências de igual clima sociocultural.
A estética decadentista nasce de uma reacção contra o Naturalismo, numa época - o fim de século - de descrença no progresso, na felicidade humana, na inteligência, e em que se agudiza o sentimento de pessimismo, de spleen , de cepticismo, de agonismo. Caracteriza-se por um evidente cansaço da civilização, pelo tédio, pela busca de novas sensações mais fortes, conseguidas na extravagância, na morbidez, nos requintes formais. Inclina-se mais para um trabalho da imaginação, um culto da forma barroca com a criação abusiva de neologismos extravagantes. Paul Adam organiza Un petit Glossaire dos neologismos que empregavam, ao qual Eugénio de Castro vai buscar alguns termos, nomeadamente Oaristos , título da colectânea poética que implanta definitivamente o Simbolismo em Portugal. Este Simbolismo é fortemente decadentista.
Reconhecendo em Baudelaire o seu precursor, o estilo decadente corresponde a um "estilo engenhoso, complicado, erudito, cheio de nuances e rebuscado, recuando sempre os limites da língua, tomando suas palavras a todos os vocabulários técnicos, tomando cores a todas as paletas, notas a todos os teclados, esforçando-se por exprimir o pensamento no que ele tem de mais inefável e a forma em seus mais vagos e mais fugidios contornos", tendendo para a observação do "homem pálido, crispado, retorcido e convulsionado pelas paixões fatídicas e o real tédio moderno", surpreendendo-o nos seus "mal-estares, as suas prostrações e suas excitações, suas neuroses e seus desesperos", e postulando a "absoluta autonomia da arte" (Théophile Gautier, prefácio a Fleurs du Mal , de Charles Baudelaire, Paris, 1868, in MORETTO, Fulvia M. L. - Caminhos do Decadentismo Francês , São Paulo, s/d, pp. 42-45).
Em Portugal, revelado depois de 1880 (atribuindo-se como marco da sua afirmação a publicação de revistas como Boémia Nova e Insubmissos ) e perdurando até aos anos vinte do novo século (em revistas como Centauro e Bizâncio ), esse sentido decadente sente-se em Antero de Quental, em Guerra Junqueiro, em Raul Brandão, no Naturalismo de Fialho de Almeida, em Alberto Osório de Castro ou António Nobre, e cruza-se com correntes como o neo-garrettismo, o simbolismo e até com as estéticas de vanguarda, como, por exemplo, o paulismo (conhecida como tentativa de aperfeiçoamento do simbolismo).
Aos decadentes ligam-se os nefelibatas, os sonhadores que vogavam nas nuvens, daí resultando uma imagística e um vocabulário extravagante, mais rico e requintado, fechado, difícil, só para um escol. Max Nordau, com o seu livro Degenerescência , fomenta a adesão de Pessoa e de Luís de Montalvor ao Decadentismo, com os consequentes comentários negativos a um passado falhado e alguma euforia oferecida pela vida moderna na sua riqueza, variedade, actividade.