06/07/2007

Antero de Quental

Antero como activista intervencionista, como pensador e como poeta, marcou a alteração da mentalidade portuguesa a partir do último quartel do século XIX. Observando, por exemplo, a sua obra literária, nota-se a revolta e o inconformismo. Há uma reflexão profunda sobre o mundo, sobre os problemas sociais e os mistérios existenciais. Mas reflecte para agir. Daí, o seu carácter forte de líder, que o transformou no mestre e mentor, inspirador e símbolo da Geração de 70.

A poesia de Antero traduz as suas vivências e os seus anseios. Nela se encontra uma faceta luminosa ou apolínea, tradutora do seu ardor revolucionário e de grande elevação moral, e outra nocturna, que remete para o pessimismo e o desejo de evasão. António Sérgio afirma que o Antero apolíneo exprime a Luz, a Razão e o Amor como fontes da harmonia do universo; e o Antero nocturno canta a noite, a morte, o pessimismo e um certo niilismo. A sua poesia filosófica aberta à modernidade evolui dum panteísmo romântico para um pessimismo e ascese mística. Capaz de acreditar nos ideais de amor, de justiça e liberdade, cai no desalento e na renúncia. De espírito combativo, sente o desassossego e a insatisfação ao não conseguir a concretização dos seus ideais.

A poesia de Antero exprime as preocupações do ser humano que reconhece a sua condição e a sua fragilidade, que sente esperanças e sofre os desalentos que duvida perante os mistérios da criação, da morte e de Deus.

Antero exprime a revolta e o inconformismo da sua geração perante uma situação social, política e cultural conservadora e retrógrada, fomentada por um romantismo que não conseguiu concretizar os ideais que defendera.

Mestre e mentor, inspirador e símbolo da Geração de 70, a sua personalidade está intimamente ligada à vida cultural e social em que, activamente, participou.

A poesia de Antero exprime as preocupações do ser humano que reconhece a sua condição e a sua fragilidade, que sente esperanças e sofre os desalentos que duvida perante os mistérios da criação, da morte e de Deus.

António Sérgio considera a existência de dois Anteros: o apolíneo e o nocturno. O primeiro exprime a Luz, a Razão e o Amor; o segundo canta a noite, a morte e o pessimismo.

Pode-se dividir a obra anteriana em quatro fases: a lírica ou de expressão do amor; a do apostolado social e das ideias revolucionárias; a do pessimismo; e a da metafísica e regresso a Deus.

Para Antero a "A poesia é a voz da revolução". Ele foi um verdadeiro apóstolo social, solidário e defensor da justiça, da fraternidade e da liberdade.

As dúvidas, as decepções e a doença conduziram-no a um estado de pessimismo.

Antero nunca conseguiu separar a poesia da vida, da sua ânsia de transformar o mundo, da sua angústia perante a dificuldade de explicar Deus, a vida e a morte.

Antero luta por ideais feitos de amor, de justiça e de liberdade. Esperança e desilusão são duas forças constantes no seu pensamento e na sua vida, entre as quais tudo oscila.

Idealista, acaba por considerar empobrecedoras as concretizações da Ideia. Daí as decepções constantes, sentindo que a sua luta não está a conseguir os resultados projectados.

Com dificuldade em libertar-se das adversidades, Antero dirige o seu pensamento para o divino, embora sem abandonar o seu racionalismo.

O pensamento de Deus surge, frequentemente, associado à morte, considerada como a verdadeira libertação.

Antero foi o grande mentor das Conferências do Casino. Aí pronunciou a segunda conferência intitulada Causas da decadência dos povos peninsulares nos últimos três séculos.

Neste discurso argumentativo, defendeu a tese de que a decadência da Península Ibérica e a desorganização da sociedade se devem a três factores: a reacção religiosa do catolicismo pós-Concílio de Trento; a centralização política do absolutismo; o sistema económico e a falta de vontade para trabalhar:

Na sua conclusão apelou para uma regeneração do espírito, defendendo uma transformação moral, social e política de Portugal.